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Operação contra agiotagem e extorsão tinha ramificações em Campo Bom, aponta Polícia Civil

A Polícia Civil deflagrou nesta sexta-feira (29) a Operação Intimoratus, uma grande ofensiva contra grupos investigados por agiotagem, extorsão e ameaças no Vale do Sinos e Vale do Paranhana. A investigação apontou que a organização criminosa também possuía atuação em Campo Bom, além de cidades como Sapiranga, Nova Hartz e Taquara.

A ação mobilizou cerca de 60 policiais civis e resultou, até o momento, na prisão de 12 suspeitos, além da apreensão de duas pistolas. As investigações começaram no final de 2025 após o aumento de denúncias envolvendo cobranças ilegais e ameaças feitas por integrantes do grupo.

Campo Bom apareceu durante as investigações

De acordo com a Polícia Civil, a expansão das atividades criminosas para cidades da região chamou a atenção dos investigadores. Durante o trabalho das delegacias envolvidas, surgiram indícios de atuação do mesmo grupo em Campo Bom, o que levou à troca de informações entre equipes e ao aprofundamento das investigações.

A partir da análise dos casos registrados, os policiais identificaram características semelhantes nas cobranças, ameaças e métodos utilizados pelos suspeitos, reforçando a suspeita de uma organização estruturada atuando em diferentes municípios.

Dívidas viravam cobranças sem fim

Segundo a investigação, o grupo oferecia empréstimos com juros considerados abusivos, chegando a variar entre 30% e 40% ao mês. Mesmo após pagamentos realizados pelas vítimas, os criminosos continuavam exigindo novos valores, transformando as dívidas em cobranças praticamente intermináveis.

Além do dinheiro, os investigados também exigiam bens como veículos, imóveis e outros patrimônios para supostamente quitar os débitos. Em alguns casos, familiares e amigos das vítimas também passavam a ser cobrados pelos criminosos.

Ameaças, intimidação e até sequestros

Conforme a Polícia Civil, as cobranças eram realizadas de forma violenta. As vítimas relatavam ameaças constantes, intimidações e, em algumas situações, episódios de sequestro com o objetivo de pressionar os pagamentos.

Os investigadores também identificaram situações em que pessoas passaram a ser cobradas por dívidas que sequer haviam contraído, ampliando ainda mais o alcance do esquema criminoso.

Advogado e corretoras são investigados

Outro ponto que chamou a atenção da investigação foi a participação de profissionais que, segundo a Polícia Civil, ajudariam a dar aparência de legalidade às cobranças realizadas pelo grupo.

Entre os investigados estão um advogado e duas corretoras de imóveis, apontados como integrantes da estrutura utilizada para formalizar negociações e pressionar vítimas durante as cobranças.

Polícia orienta vítimas a denunciarem

A Polícia Civil reforça que vítimas de extorsão, ameaças ou cobranças ilegais devem procurar imediatamente as autoridades e registrar ocorrência.

Os investigadores acreditam que outras pessoas da região, incluindo moradores de Campo Bom, possam ter sido afetadas pelo grupo e ainda não tenham procurado a polícia.

As investigações seguem em andamento e novas fases da operação não estão descartadas.

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