A Polícia Civil deflagrou, nesta terça-feira (14), uma operação contra uma organização criminosa suspeita de criar campanhas falsas de arrecadação de dinheiro utilizando a imagem de uma criança de Campo Bom, que enfrenta um tratamento contra o câncer. A ação ocorre simultaneamente em cinco estados brasileiros e busca desarticular um esquema de estelionato praticado principalmente por meio das redes sociais.
De acordo com as investigações, os suspeitos se apropriavam indevidamente da história e das fotografias da menina para sensibilizar internautas e convencer pessoas a realizarem transferências via Pix e outras formas de pagamento. As campanhas fraudulentas eram apresentadas como pedidos de ajuda para custear o tratamento da criança, mas os valores arrecadados eram desviados para contas ligadas ao grupo criminoso.
Operação mobiliza policiais em cinco estados
Batizada de Operação Sophia, a ofensiva conta com o apoio das polícias civis do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco. Ao todo, estão sendo cumpridos 19 mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão, além de medidas para bloqueio de bens e valores dos investigados. Até a atualização mais recente da operação, diversos suspeitos já haviam sido presos.
Segundo a Polícia Civil, o grupo mantinha uma estrutura organizada para produzir conteúdos falsos que imitavam campanhas beneficentes legítimas, utilizando imagens reais de crianças em tratamento de saúde para dar credibilidade às publicações.
O caso acende um alerta para moradores de Campo Bom, do Vale do Sinos e de toda a Região Metropolitana sobre os riscos de golpes envolvendo pedidos de doação compartilhados pela internet.
Especialistas orientam que, antes de realizar qualquer contribuição financeira, é importante:
- Confirmar a autenticidade da campanha;
- Verificar se a arrecadação está vinculada à família ou a instituições reconhecidas;
- Desconfiar de perfis recém-criados ou com poucas informações;
- Evitar realizar transferências apenas com base em mensagens compartilhadas em grupos de WhatsApp ou redes sociais.
- Crime explora a solidariedade das pessoas
A utilização da imagem de uma criança em tratamento contra o câncer torna o golpe ainda mais grave, já que explora a comoção pública e prejudica famílias que realmente dependem da solidariedade para enfrentar doenças de alto custo.
As investigações continuam para identificar todos os envolvidos, dimensionar os prejuízos causados às vítimas e localizar outros integrantes da organização criminosa. A Polícia Civil também orienta que pessoas que tenham realizado doações para campanhas suspeitas procurem registrar ocorrência para colaborar com as investigações.