A FCC, indústria de ciência dos materiais, investiu R$ 20 milhões em uma nova fábrica na sua planta industrial em Campo Bom. A estrutura, que começou a operar no início de setembro, é a primeira a produzir E-TPU (Poliuretano Termoplástico Expandido) na América Latina, uma matéria-prima altamente utilizada em entressolas de calçados esportivos e casuais.
Atualmente, a principal fornecedora de E-TPU para a indústria calçadista gaúcha é a China. Com a inauguração da planta da FCC, entretanto, será possível produzir localmente 150 mil quilos por mês do material, o suficiente para a fabricação de cerca de 1,5 milhão de pares de calçados.
“A proximidade com a indústria permite que a gente trabalhe com clientes para criar customizações e tipos específicos do material para a necessidade do cliente com uma velocidade muito maior do que um fornecedor asiático faria, por exemplo. E é uma maneira de democratizar um material de altíssimo desempenho que agora passa a ser competitivo, inclusive para sapatos nos quais a performance não é tão importante como o tênis casuais, por exemplo”, afirma o CEO da FCC, Marchelo Reichert.
A expectativa é de que o frete do E-TPU seja barateado, reduzindo custos da indústria calçadista gaúcha. Hoje, com a importação, Reichert afirma que a produção se torna onerosa em virtude do transporte. “Para você ter uma ideia, um contêiner no qual normalmente caberia 40 toneladas de produto, leva entre 4 toneladas e meia ou 5 toneladas de E-TPU. Então, um frete da Ásia até aqui se torna extremamente caro”, avalia o empresário.
A estrutura foi projetada em módulos e conta com espaço para a instalação de um novo reator, permitindo ampliar a produção de acordo com o crescimento da demanda. A FCC já fornecia TPU para calçadistas, por isso, conforme o diretor de negócios da empresa, Francisco Gonçalves, a tecnologia já era conhecida. “Já nascemos como um fabricante de E-TPU bastante verticalizado. Conhecemos bem a química do material e, agora, montamos a planta para expandir ele”, explica.
Um dos diferenciais do material é a redução das perdas em relação ao EVA, comumente utilizado em entressolas. E, também, a possibilidade de reaproveitamento na fabricação de TPU ou incorporado a um novo ciclo produtivo. Com isso, conforme os dirigentes da FCC, aumenta o valor agregado dos calçados brasileiros.
O E-TPU é obtido pela expansão do poliuretano termoplástico em pequenas partículas, posteriormente termoconformadas para a fabricação de entressolas e outros componentes. Entre suas principais propriedades está o retorno de energia ou rebound: o material absorve parte do impacto durante a caminhada ou a corrida e devolve essa energia no movimento seguinte.