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Polícia Civil realiza nova fase de operação contra quadrilha que praticava extorsões no Vale do Sinos

A Polícia Civil segue avançando nas investigações contra uma organização criminosa suspeita de praticar extorsões contra empresários e comerciantes do Vale do Sinos. A ofensiva faz parte da Operação Timeo, conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) de São Leopoldo, que vem sendo desenvolvida em diferentes etapas para identificar integrantes, operadores financeiros e a estrutura utilizada pelo grupo.

Nesta fase foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e seis ordens de busca e apreensão, em Sapiranga e Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, e Taquara, no Vale do Paranhana. Um dos principais investigados já estava preso preventivamente em razão de uma fase anterior da Operação Timeo. Mesmo dentro do sistema prisional, ele teria voltado a extorquir vítimas e utilizado comparsas para receber os valores exigidos.

O caso tem atenção especial para Campo Bom, município que já esteve entre os locais alcançados por fases anteriores da investigação. A apuração aponta para um esquema em que vítimas eram pressionadas a realizar pagamentos periódicos em troca de uma suposta “segurança”, sob ameaça de ataques, depredações e violência.

Extorsões atingiram empresários da região

Segundo as investigações divulgadas pela Polícia Civil em etapas anteriores da Operação Timeo, criminosos utilizavam ameaças para exigir dinheiro de empresários, especialmente daqueles ligados ao setor de compra e venda de veículos.

A prática conhecida como “pedágio” do crime consistia na cobrança de valores para que os estabelecimentos não fossem alvo de ações violentas. Em alguns casos investigados, as ameaças teriam sido acompanhadas por ataques a empresas e intimidações contra familiares das vítimas.

A operação começou a partir de investigações relacionadas a casos registrados no Vale do Sinos e foi sendo ampliada à medida que os investigadores identificaram novas vítimas, suspeitos e movimentações financeiras.

Campo Bom já esteve entre os alvos da investigação

A presença de Campo Bom nas diferentes etapas da operação demonstra a abrangência regional do grupo investigado.

Em junho de 2025, por exemplo, a 7ª fase da Operação Timeo cumpriu mandados em Campo Bom e em outros municípios do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Na ocasião, a Polícia Civil investigava, além das extorsões, um possível esquema de lavagem de dinheiro associado aos recursos obtidos pelo grupo.

Ainda naquela etapa, um investigado foi preso em Campo Bom, apontado pelos investigadores como operador financeiro e contábil da organização. Segundo a apuração divulgada na época, ele teria movimentado valores considerados incompatíveis com sua atividade formal.

O município também apareceu novamente em ações posteriores relacionadas à investigação. Em outubro de 2025, um empresário de Campo Bom foi vítima de um esquema de extorsão que envolvia uma cobrança de R$ 300 mil, além de pagamentos mensais, acompanhada de ameaças e ataques contra o estabelecimento.

Investigação ganhou novas frentes

A Operação Timeo vem avançando por meio da identificação de novos integrantes e de possíveis mecanismos utilizados para movimentar e ocultar os recursos obtidos com as extorsões.

Em abril de 2026, uma nova etapa da investigação levou à prisão de suspeitos apontados como integrantes de uma quadrilha que atuava em diferentes municípios do Vale do Sinos. A Polícia Civil informou que o grupo tinha atuação regional e utilizava ameaças para exigir dinheiro de empresários.

O histórico da investigação mostra que o combate às extorsões não está restrito a uma única cidade. São Leopoldo, Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha, Portão e outros municípios da região aparecem em diferentes momentos das apurações, reforçando a característica regional da estrutura investigada.

Combate ao crime organizado

Além de identificar os responsáveis pelas ameaças, a Polícia Civil busca atingir a estrutura financeira das organizações criminosas.

Em uma das fases anteriores, foram determinados bloqueios de contas bancárias de investigados que somavam R$ 10 milhões, além de medidas envolvendo aproximadamente R$ 100 mil em criptoativos. A estratégia é reduzir a capacidade financeira dos grupos e dificultar a continuidade das atividades criminosas.

A investigação permanece em andamento e novas medidas poderão ser adotadas conforme os policiais analisem documentos, aparelhos eletrônicos, movimentações financeiras e demais elementos reunidos durante as diferentes etapas da operação.

Orientação às vítimas

A Polícia Civil reforça a importância de que empresários e comerciantes que tenham sido vítimas de ameaças ou cobranças criminosas procurem as autoridades e registrem ocorrência.

O registro dos casos é considerado fundamental para que os investigadores consigam identificar padrões de atuação, localizar novos integrantes e dimensionar a extensão da rede criminosa no Vale do Sinos.

Para Campo Bom e demais cidades da região, a recomendação é que situações envolvendo cobranças acompanhadas de ameaças, intimidações ou exigências de pagamentos para evitar ataques sejam comunicadas imediatamente às autoridades policiais.

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