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Polícia Civil orienta: Desconfiar é a principal orientação para evitar cair no golpe do bilhete premiado
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Uma simples abordagem solicitando alguma informação, pode ser o início de um golpe já clássico e antigo, mas que ainda faz vítimas no Rio Grande do Sul. Há décadas, o golpe do bilhete premiado tem lesado pessoas, em especial idosas, e mobilizado a Polícia Civil gaúcha. Diante do trabalho que vem sendo feito, aliado às orientações e a conscientização da população, a incidência deste tipo de estelionato reduziu consideravelmente, porém, ainda demanda atenção por parte das autoridades e de possíveis vítimas.
Nesse cenário, uma das ações mais recentes deflagradas pela Polícia Civil gaúcha foi realizada em meados deste ano, pela Delegacia de Polícia de Ibirubá. Na ocasião, um homem foi preso em flagrante enquanto ele aguardava a vítima realizar uma transferência bancária. A ação impediu um prejuízo de R$ 60 mil à idosa. Dias antes, a mesma DP impediu que outra vítima fosse lesada em R$ 100 mil no golpe.
Conforme o titular da DP de Ibirubá, o Delegado Marcio Marodin, “o trabalho policial tem focado na identificação e na prisão dos autores destes golpes e também na descapitalização destes grupos por meio de investigações acerca da lavagem de dinheiro”.
No golpe do bilhete premiado, a tática de abordagem às vítimas não alterou muito ao longo dos anos. Conforme o Delegado titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Passo Fundo, Venicios Ildo Demartini, geralmente, uma pessoa de aparência humilde aborda a possível vítima solicitando alguma orientação ou informação qualquer.
“No curso da conversa fala-se sobre o suposto bilhete premiado. Em seguida, chega outro criminoso, com boa aparência, que se insere na conversa e diz que vai ajudar. Nisso, este segundo indivíduo, supostamente, liga para a Caixa e confirma que o bilhete está premiado. Muito agradecida, a pessoa dona do bilhete premiado diz que vai dar uma parte do prêmio para cada um que a ajudou, mas pede uma garantia. Neste momento, a vítima entrega o dinheiro que possui ou vai ao banco para sacar algum valor e entregar aos bandidos, em muitos casos, chega a ser levada pelos criminosos até a agência bancária”, detalha o Delegado.
Depois de conseguirem os valores, os criminosos usam de algum argumento qualquer e somem, momento em que a vítima percebe que caiu no golpe. Atualmente, a preferência por pedido de transferências bancárias, ao invés do dinheiro físico, tem dificultado a rastreabilidade, já que os valores que são transferidos são rapidamente sacados ou encaminhados para outras contas.
O berço dos “bilheteiros”
Conforme o Delegado Demartini, o golpe do bilhete premiado tem como berço a cidade de Passo Fundo, onde estelionatários chegam a repassar os “conhecimentos” para gerações futuras. “Muitos estelionatários fizeram escola, difundindo o crime dentro de suas famílias, sendo que há mais de uma geração que somente atuam com o golpe do bilhete premiado”, cita o Delegado.
Diante dessa realidade, a Draco e a 2ª Delegacia de Polícia de Passo Fundo têm se especializado na investigação do golpe e orientado outras Delegacias pelo país, tendo em vista que o crime se espalhou Brasil afora. “Ao longo dos anos, os autores do conto do bilhete premiado têm mudado as cidades de atuação. No RS, o crime é conhecido e amplamente combatido pela Polícia Civil, por isso, houve a migração para outras unidades da federação. Com isso, está havendo um trabalho articulado e de inteligência entre as Polícias Civis do Brasil, permitindo o combate e a prisão desses criminosos”, complementa o Delegado Demartini.
