Hoje é quarta-feira, 17 de outubro de 2018

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O Especialista

Preparando os Filhos – Parte IV

No nosso encontro passado falamos sobre como os cônjuges devem proceder nos conflitos entre seus filhos e o novo cônjuge. (Confira aqui)

Filhos vindos de outros casamentos têm costumes diferentes. Por isso, é preciso paciência para incorporar os novos hábitos comuns da família.  Vá introduzindo lentamente e dando tempo para a assimilação. Crie as regras da boa convivência e deixe-as bem claras.

Tampouco tente “comprar” o filho do seu cônjuge dando todos os presentinhos que ele deseja, porque a criança vai perceber que você está querendo manipulá-la; por incrível que pareça, elas percebem! E pode até usar isso contra você. Ao perceber sua estratégia, brevemente, você terá um “anjinho” pedindo tudo o que vê na frente até que ela vire o jogo e você se torne refém da própria armadilha.

Use sempre o bom humor – nunca o deboche – quando surgirem cenas de ciúmes.  A criança muitas vezes acha que você veio para tomar o lugar da mãe – ou pai dela – e, em alguns casos, pode pensar que você é concorrente dela mesma, e põe-se a disputar, com você, a atenção do seu cônjuge.

Uma coisa muito importante é nunca tirar a autoridade do pai ou da mãe da criança. Mas também você, como pai ou mãe, não pode deixar a criança desrespeitar o seu cônjuge. Eu tive uma cliente que passou por uma experiência, no mínimo, interessante. Quando o segundo marido repreendia o filho dela, ela dizia “não briguem, vocês dois”. Ela não percebia que, dizendo isso, estava colocando o cônjuge no mesmo nível do filho. Obviamente, tirava a autoridade dele e criava uma circunstância para que houvesse situação de desrespeito. É uma linha muito fina e muito sutil, mas crucial.

Outra coisa fundamental de um segundo casamento é evitar a rivalidade entre os meio irmãos. Essa rivalidade acarreta um problema muito sério para o casal. A tendência é começarmos a exigir muito mais dos nossos filhos do que dos filhos do nosso cônjuge. Aí seu filho lhe faz a pergunta mais difícil de ser respondida: “Por que eu preciso fazer isso e ele(a) não?”. E como explicar? Você pode levar seu filho a ficar muito magoado e criar um problema de relacionamento entre vocês.

Vejamos um exemplo: se você é mais esforçado que seu colega de trabalho, e o seu chefe dá uma promoção para ele e não para você, você vai olhar seu chefe como uma pessoa injusta. E vocês são dois adultos. Agora, imagine seu filho vendo você exigir dele uma coisa que não exige do filho do seu cônjuge? É como se você tivesse promovendo o filho do outro e não o seu próprio. Assim como você olharia o seu chefe, seu filho olhará você. O ajuste entre as crianças de um casamento “combo” é, muitas vezes, muito delicado. Há necessidade de um duplo diálogo; entre você e seu cônjuge, e entre você e o seu filho, para que as regras possam ser as mais claras e mais justas.

E muito cuidado com a quebra de autoridade. Porém esse é um assunto para o nosso próximo encontro. Então espero você aqui.

Rosa Silva

Terapeuta TFT e Palestrante

www.vidaplenatododia.com.br

Preparando os filhos – Parte III

No nosso encontro passado, falamos sobre as reviravoltas da vida com a chegada do bebê e sobre a atenção dos pais aos detalhes da vida a dois para que isso não interfira no relacionamento do casal.

Mas… e se essa criança for fruto de um outro relacionamento? Os cuidados devem ser redobrados para que a harmonia seja instaurada na casa.

Quando você se casa com uma mulher, querido leitor, e tem filhos, é preciso entender que ela agora passa a ter responsabilidades sobre os seus filhos. E você, querida leitora, quando casou com um homem, e você tem filhos, da mesma forma, agora ele tem responsabilidades sobre os seus filhos também. O problema é que isso nem sempre fica entendido. Um exemplo típico seria a mulher não se interessar pelos filhos dele por que não são dela. Por outro lado, ele pode pensar, “ela não tem que se meter na vida dos meus filhos porque os filhos não são dela”. Pronto! Está criada a confusão.

O pior é que esse tipo de pensamento não fica só com os pais. Os filhos são capazes de perceber e assimilar esse pensamento, e o seu cônjuge vai correr o risco de ouvir coisas do tipo “não fala assim comigo porque você não é meu pai (ou minha mãe)” ou “você não me manda”.

Algumas vezes, entre o casal, acontece a síndrome da madrasta ou do padrasto. É a  velha história: ele casa, mas sempre vê a nova mulher como a madrasta dos contos de fadas, ou seja, aquela mulher que quer o mal dos filhos dele. E não vai entender que você veio para somar e não para dividir. E em todo o tempo vai procurar “defender” os filhos, como se você fosse a bruxa.

Por outro lado, pode acontecer inverso. Você, mulher, é quem tem filhos. Então, você começa a achar que seu cônjuge quer o mal do seus filhos e sente a necessidade de proteger os filhos do “padrasto malvado”. Tanto um comportamento quanto o outro podem criar uma animosidade muito grande.

Portanto, se você casou com alguém que tem filhos, é preciso percorrer com muito cuidado esse caminho, porque é um caminho muito delicado e pedregoso.

Se, por exemplo, seu filho olha e diz pra sua nova esposa algo do tipo “você não é minha mãe” ou para seu marido ” você não é meu pai” o cônjuge deve interferir e impedir a afronta, porém procurar entender os motivos de tal reação da criança .  Meu conselho é que os cônjuges sentem e conversem porque essa é uma construção que deve vir entre vocês para atingir aos filhos. Para que isso apareça nos filhos, é necessário que primeiro haja confiança entre o casal. Os filhos percebem se houver falta de conexão entre o casal, e assimilam. Isso será apenas o reflexo do que os pais pensam entre si.

E muito cuidado com as armadilhas para conquistar os filhos do cônjuge. Mas isso é assunto para o nosso próximo encontro. Então espero você aqui.

Rosa Silva

Terapeuta TFT e Palestrante

www.vidaplenatododia.com.br

Preparando os filhos – Parte II

No nosso encontro passado, falamos da importância de o casal estar atento a alguns pontos da vida a dois. (Se perdeu o texto veja aqui)

Com a chegada do bebê, toda a família, e mais ainda os pais, ficam muito envolvidos. Para a mãe, os primeiros meses significam noites mal dormidas, trocas de fraldas, cansaço, entre outras coisas. Para o pai também há mudanças. Por exemplo, aquela mulher que até então era só dele, nesse momento não é mais, as despesas saltam, ele começa a conviver com o choro da madrugada, o que pode deixá-lo exausto para o dia de trabalho.

O casal fica realmente apaixonado pelo novo membro da família. Só que aquele serzinho miúdo, com um sorriso lindo, pode levá-los a se voltarem tanto para os sesu cuidados, que há o risco de se esquecerem um do outro.

Logo que o bebê nasce, a rotina é cuidar exclusivamente dele, e isso realmente demanda tempo. Porém, lentamente acabam os jantares a dois, as carícias, o namoro gostoso, o deitar abraçadinho, o beijo apaixonado, e não ter mais tempo torna-se normal.

E por que, na maioria das vezes, isso não é percebido? Porque o casal continua com sua vida sexual ativa, dentro das limitações e possibilidades existentes. E aquele sexo que era ainda melhor na gravidez, por conta da felicidade da chegada do bebê, pode tornar-se um sexo apressado, com os cônjuges cansados, sem a paixão de antes, quase mecânico. E para piorar, parece que o normal é ser assim.

Mas a criança cresce e, com o passar dos anos, vai  alcançando sua independência. Uma hora ela sai de casa para estudar, trabalhar ou para casar, e, então, o casal faz uma descoberta terrível: um não conhece mais o outro. É a síndrome do ninho vazio: dois seres que se tornaram estranhos com o passar dos anos porque viveram exclusivamente para a criação de um filho, e agora não sabem o que fazer quando se olham. Não há o que conversar, não sabem fazer coisa alguma em que o filho não esteja inserido.

Veja que paradoxal: conviveram por, pelo menos, 18 anos lado a lado,  e, em vez de estreitarem o relacionamento e a intimidade, passaram a destruí-lo.

Por isso, meu conselho é: usem os “serviços” dos avós, dos titios e dos padrinhos para criar um espaço em que o casal faça algo sozinho. Um jantarzinho a dois, uma noite de amor (não vale em casa), uma tarde para passear de mãos dadas e namorar com direito a beijos apaixonados. Isso fará com que haja sempre conexão entre o casal, e o bebê será mais um membro da família e não o único que merece as atenções.

E se ao formar a nova família, essa criança for filho de um outro relacionamento? Bem a coisa fica um pouco mais  complicada, mas esse é um assunto para o nosso próximo encontro. Então espero você aqui.

Rosa Silva

Terapeuta TFT e Palestrante

www.vidaplenatododia.com.br

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